O Instituto de Pesquisa UniFacens (IP UniFacens), em parceria com a TIM Brasil, Stellantis, as universidades USP-São Carlos, UFSCAR e a alemã Technische Hochschule Ingolstadt (THI), avança no projeto Conecta 2030: um ecossistema conectado e cooperativo para detecção e prevenção de acidentes com pedestres e ciclistas em travessias onde a visibilidade dos motoristas é reduzida. O projeto Conecta, faz parte do IARA, um Centro de Inteligência Artificial financiado pela FAPESP com a parceria do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Ministério das Comunicações (MCom) e Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) para apoio à pesquisa científica e tecnológica.
A pesquisa está na fase de desenvolvimento e implementação de soluções de Sistemas Avançados de Assistência ao Condutor (ADAS) baseadas em quatro pilares principais: conectividade, inteligência artificial, gêmeos digitais e interface e experiência do usuário. Segundo Roberto Netto, coordenador de tecnologia do ICT IP UniFacens, “o objetivo é desenvolver um ambiente de gêmeo digital, ou seja, uma réplica virtual de uma parte do Smart Campus 5G da UniFacens, para desenvolver e testar uma solução de detecção de usuários vulneráveis em vias públicas”.
“Esta parceria é muito importante para o IARA, que investiga o uso da IA para que as cidades brasileiras sejam cada vez mais cidades inteligentes, sustentáveis e inclusivas. Aliamos desenvolvimento da pesquisa nacional de ponta, benefícios sociais e a agregação de tecnologias inovadoras aos veículos da Stellantis, que possui a maior fatia do mercado automotivo nacional”, afirma Prof. André de Carvalho, Diretor do ICMC e do IARA.
Após aproximadamente dois anos e meio de desenvolvimento, o projeto teve progressos significativos na construção desse ecossistema. O laboratório para testes foi instalado e já conta com dois carros dedicados à pesquisa, uma sala de projeção e um mapa virtualizado do campus da UniFacens, permitindo simulações de direção no ambiente virtual.
A iniciativa se concentra em duas ações principais: “fazer a cidade enxergar” e “o carro falar”. A primeira ação, está mais avançada, com testes em andamento utilizando sensores como câmeras e LiDAR’s (baseados em laser para varredura rápida e criação de imagens com informações de volume, posição, tamanho e profundidade). “É a cidade que precisa visualizar o pedestre em situação de vulnerabilidade. Esses sensores aumentam a acurácia na identificação de usuários vulneráveis, ajudando a diferenciar, por exemplo, bicicletas e motos”, explica Netto.
A segunda ação do projeto é fazer “o carro falar”, com foco na interação do veículo com a cidade. O sistema consegue obter dados como velocidade e direção, além de dados de segurança veicular. “O grande objetivo é informar o carro e o pedestre sobre uma possível rota de colisão, especialmente em situações onde a visibilidade é limitada, como um pedestre atravessando à frente de um ônibus, não sendo visto pelo carro que se aproxima na faixa ao lado. Pelos sensores, o sistema identifica a possibilidade de colisão por meio do uso de inteligência artificial e visão computacional e emite alertas para ambos – no painel do carro, em um smartwatch – mesmo que um não saiba a localização exata do outro”, explica Roberto.
Essa conectividade que integra veículos e pedestres, criando um ambiente no conceito de Cidades Inteligentes, é fundamental para o sucesso do projeto. A visão agregada da cidade e do carro permite que o motorista receba informações e tome ações preventivas, como reduzir a velocidade ou ligar o pisca-alerta, enquanto o pedestre é alertado para prestar atenção e concluir a travessia com segurança.
Novos investimentos
Para somar, o projeto conquistou recentemente um novo fomento e foi selecionado na Chamada para Aplicações 5G Open RAN e Hospedeiros, promovida pelo Programa OpenRAN@Brasil. A iniciativa visa fomentar soluções inovadoras baseadas em redes abertas de acesso por rádio para áreas estratégicas, como as Cidades Inteligentes.
Aprovada no processo avaliativo, a nova frente de pesquisa que se integra ao Conecta 2030, intitulada “OoC – Olha o Carro! Experimentando V2X em uma Rede 5G Open RAN”, será coordenada por Fábio Verdi (UFSCar) em parceria com a UniFacens. O projeto contará com R$ 2 milhões em investimentos, valor que viabilizará a aquisição de novos equipamentos e a distribuição de bolsas para os pesquisadores envolvidos.
De acordo com Roberto Netto, a integração da tecnologia OpenRAN trará melhorias significativas na conectividade, permitindo explorar aplicações mais rápidas e novos casos de uso no cotidiano de uma cidade. “Isso traz maturidade para o projeto e conseguimos continuar, por meio desse novo fomento, o desenvolvimento de tecnologia até chegar em um produto”, comemora o responsável pelo projeto na UniFacens.
O programa Rota 2030/Mover é parte de uma estratégia elaborada pelo Governo Federal para desenvolvimento do setor automotivo no país. Além de trabalhar políticas de incentivo à indústria, possui como pressupostos princípios de sustentabilidade ambiental e cidadania. O projeto Conecta 2030 atende à demanda do programa prioritário sobre Conectividade Veicular, estabelecido pela Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (FUNDEP), especialmente para a linha de conectividade dos veículos com o ambiente externo e a possibilidade de proporcionar mais segurança no trânsito.






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