Regulamentada pelo Conselho Federal de Medicina (Resolução CFM 2.314/2022), a telemedicina é definida como o exercício da medicina mediado por tecnologias, desdobrando-se em sete modalidades que vão desde a teleconsulta, a telecirurgia até o telediagnóstico. Apenas no SUS, mais de 4,6 milhões de atendimentos remotos foram realizados desde o início de 2023, demonstrando que a telemedicina é uma ferramenta que vem amadurecendo como uma aliada estratégica em um país de dimensões continentais.
Para o médico Alexandre Eduardo Franzin Vieira, docente na Escola da Saúde UniFacens, apesar do avanço, o atendimento presencial permanece como o “padrão ouro”, sendo o digital um recurso complementar e nunca um substituto obrigatório. Mas, de modo geral, todas as áreas podem se beneficiar de alguma modalidade de telemedicina.
Já a médica Maria Tereza Verrone Quilici, que também atua como docente na instituição, afirma que um dos maiores desafios é humanizar a tela.
“Reconhecer que manter o vínculo pela tela é mais difícil é o primeiro passo. Mas consultas podem ser frias até presencialmente, por isso temos áreas de conhecimento dedicadas a discutir como construir comunicação e empatia em diferentes cenários, e o digital é um deles. A partir daí, entram ferramentas de apoio: registros, fluxograma e até inteligência artificial pensada para a medicina”
– afirma Maria Teresa.
Outro fator a ser considerado é a importância do julgamento clínico para garantir a segurança do paciente.
“Não existe uma lista fechada de ‘casos para a tela’ e ‘casos para o pronto-socorro’. O critério central é o julgamento clínico somado à segurança do paciente. O médico tem a autonomia de indicar o atendimento presencial sempre que entender necessário. Na prática, assim que o profissional percebe que a situação tem complexidade maior do que aquele formato comporta, o paciente é encaminhado”, esclarece.
Guia prático: dicas para uma teleconsulta eficiente
Para que o paciente aproveite ao máximo o tempo com o médico, os especialistas da UniFacens listam três recomendações essenciais :
- Prepare um roteiro: anote suas dúvidas antes de começar. Não tenha vergonha da lista e fale tudo ao médico; “as anotações servem como um guia para você cuidar melhor de si”, afirma Maria.
- Tenha dados em mãos: “deixe anotados valores recentes de pressão arterial, frequência cardíaca, peso e altura, além da lista de medicamentos que já utiliza”, orienta Alexandre. Isso facilitará o atendimento e o possível diagnóstico.
- Guarde as recomendações médicas: “registre as decisões combinadas e orientações. Em comum acordo com o médico, é possível até gravar trechos da consulta para não esquecer detalhes da consulta”, explica Maria.
“Acima de tudo, atenção plena e dedicação ao momento da consulta são essenciais para o seu sucesso, na tela ou fora dela”, conclui Dr. Alexandre.
Segurança digital
Outro ponto de atenção é a segurança digital durante as teleconsultas e outras modalidades. Eliney Sabino, engenheiro e coordenador dos cursos de Tecnologia UniFacens, afirma que o primeiro passo é a escolha criteriosa do ambiente virtual.
O ideal é que o paciente utilize plataformas oficiais de hospitais, clínicas ou aplicativos reconhecidos no mercado, evitando links enviados por terceiros desconhecidos. Desconfie de atendimentos feitos apenas por aplicativos de mensagens sem vínculo institucional”
– orienta Sabino.
Sabino também recomenda utilizar meios de pagamento seguros, evitando transferências diretas para pessoas físicas. O especialista sugere ainda o uso de cartões virtuais temporários e a verificação constante de certificados de segurança nos sites utilizados. “Atualmente, receitas e atestados digitais utilizam assinatura eletrônica certificada, QR Code e mecanismos de validação que permitem confirmar sua autenticidade “.
A tecnologia sozinha não basta sem a vigilância do usuário. “Muitos golpes relacionados à telemedicina exploram a manipulação do usuário por meio de mensagens falsas, perfis clonados e páginas fraudulentas“. Sabino recomenda evitar redes Wi-Fi públicas e manter sempre a autenticação em dois fatores ativa nas contas para a proteção contra fraudes de qualquer tipo.






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