No dia 21 de agosto, o Centro Universitário Facens recebeu o 3º encontro do Ecossistema Local de Inovação de Sorocaba (ELI), reunindo representantes de instituições de ensino superior, empresas, entidades de pesquisa e organizações de apoio ao empreendedorismo para dar continuidade à construção de um ecossistema de inovação mais integrado na região.



O que é o ELI e por que ele importa?
De acordo com o Novo Marco Legal de Ciência, Tecnologia e Inovação (Decreto nº 9.283/2018), ecossistemas de inovação são espaços que agregam infraestrutura, arranjos institucionais e culturais, e que atraem empreendedores e recursos financeiros — lugares que potencializam o desenvolvimento da sociedade do conhecimento, como parques científicos e tecnológicos, cidades inteligentes, distritos de inovação e polos tecnológicos (Sebrae).
O Ecossistema Local de Inovação é a metodologia do Sebrae para colocar esse conceito em prática dentro de um município ou de uma microrregião. Segundo a própria plataforma do programa, a abordagem busca compreender de forma sistêmica o ecossistema de inovação de um território, considerando suas vocações econômicas e seu potencial tecnológico, para promover o desenvolvimento local sob a ótica da inovação e estruturar uma intervenção coordenada de longo prazo (Sebrae).
O objetivo principal do ELI é aumentar o grau de maturidade do ecossistema de inovação local. Para isso, o programa trabalha em duas frentes complementares: ampliar a efetividade de cada uma das instituições que compõem o ecossistema — ou seja, melhorar a entrega de valor de cada uma delas — e, ao mesmo tempo, ampliar a integração entre elas, criando uma dinâmica de diálogo e cooperação coletiva (Sebrae, s.d.).
Para organizar essa articulação, a metodologia do Sebrae agrupa as instituições em seis vertentes — grupos com naturezas, características e propósitos semelhantes dentro do ecossistema:
- Ambiente de Inovação
- Programas e Ações
- ICTI (Instituições de Ciência, Tecnologia e Inovação)
- Políticas Públicas
- Capital
- Governança
A implantação segue um ciclo virtuoso de sete etapas:
(1) caracterização do ecossistema de inovação;
(2) definição do nível de maturidade;
(3) identificação dos pontos de intervenção;
(4) elaboração do plano de intervenção;
(5) organização para a intervenção;
(6) atuação conjunta dos atores;
(7) monitoramento do ecossistema.
Um ciclo que se repete continuamente para promover o desenvolvimento local sob a ótica da inovação (Sebrae, s.d.).
Na prática, encontros como o realizado em Sorocaba correspondem às etapas iniciais desse processo, de reunião de kickoff ao mapeamento de vocações econômicas, potencial tecnológico, setores prioritários e entrevistas com os atores locais, que alimentam o diagnóstico de maturidade do ecossistema regional.
O papel da UniFacens nesse processo
Como uma das principais instituições de ensino superior da região e ICT – Instituto de Ciência e Tecnologia, a UniFacens tem assumido um papel de protagonismo na articulação do ELI em Sorocaba — sediando os encontros e colocando à disposição sua estrutura de pesquisa, extensão e inovação para apoiar a construção coletiva do ecossistema. Essa atuação reforça o papel da universidade não apenas como formadora de mão de obra qualificada, mas como um dos vértices da chamada “hélice” de inovação, ao lado de empresas, governo e sociedade civil — atuando como ponte entre a produção de conhecimento científico e sua aplicação prática no desenvolvimento econômico regional.
Acredito que a gente já está numa fase muito importante do processo, onde fizemos todo um levantamento, mapeamento local dos potenciais de inovação, das, como eles chamam, das vocações de inovação e são as vocações temáticas ali, então agora a gente está refinando esse processo para que fique claro agora um plano de ação, um plano de próximos passos, atuações, responsabilidades, definições de responsabilidades entre os diferentes atores da região, para que isso seja bem desenhado, para que depois, com a vinda do ALI, que é o agente local de inovação, isso consiga ser colocado em prática nas próximas etapas. Então, sediar esse encontro foi extremamente importante para a Unifacens e estar presente em todo esse movimento é relevante para que a gente fortaleça o nosso papel e incentive essa movimentação em prol da inovação e do empreendedorismo.”
— Natalia Marangão, Gestora do Centro de Empreendedorismo da UniFacens
Ecossistemas de inovação no Brasil: o que os dados do Sebrae mostram
O programa ELI já tem alcance nacional expressivo. Segundo dados divulgados na própria plataforma do programa, o Sebrae já desenvolveu 252 projetos de ecossistemas locais de inovação em 376 municípios brasileiros (Sebrae, s.d.). A distribuição por região mostra a seguinte concentração de projetos:
| Região | Projetos | % do total |
| Sul | 90 | 35,71% |
| Nordeste | 55 | 21,83% |
| Sudeste | 44 | 17,46% |
| Centro-Oeste | 37 | 14,68% |
| Norte | 26 | 10,32% |
| Brasil | 252 | 100% |

A região Sul concentra a maior parte dos projetos, puxada pelo Paraná (43 projetos) e Santa Catarina (28), enquanto em São Paulo — estado de Sorocaba — o Sebrae já registra 14 projetos de ELI no estado, dentro dos 44 projetos da região Sudeste (Sebrae).
Esses números mostram que o encontro na UniFacens não é um evento isolado: ele integra um movimento nacional do Sebrae de mapeamento e fortalecimento de ecossistemas locais de inovação, que já alcança mais de um terço dos municípios brasileiros e busca, em cada território, elevar o grau de maturidade das relações entre universidades, empresas, governo e sociedade.
Próximos passos
Com a realização do terceiro encontro, o ELI Sorocaba consolida um espaço permanente de diálogo entre universidades, centros de pesquisa, parque tecnológico e setor produtivo da região. A expectativa dos participantes é que os próximos encontros aprofundem o diagnóstico do ecossistema local e avancem para a construção de uma agenda conjunta de ações, capaz de transformar o potencial de inovação de Sorocaba e região em resultados concretos para empresas, pesquisadores e para o desenvolvimento econômico do território.
Escrito por: Vitor H E Barbosa e Natalia Marangão – Centro de Empreendedorismo UniFacens






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