O silêncio de uma criança nem sempre é apenas timidez. Em alguns casos, pode indicar mutismo seletivo, um transtorno de ansiedade que dificulta a comunicação em determinados contextos sociais. Apesar de ainda ser pouco conhecido, o quadro pode impactar o desenvolvimento emocional, social e escolar.
Nesta entrevista, Elisa Neiva Vieira, Psicóloga clínica e referência nacional no tratamento do Mutismo Seletivo e ansiedade infantil, esclarece como o mutismo seletivo se manifesta, por que ele ainda é pouco compreendido e como profissionais da saúde e da educação podem contribuir para uma identificação e intervenção adequadas.
UniFacens: Professora, o que é o mutismo seletivo?
Elisa: O mutismo seletivo é um transtorno de ansiedade caracterizado pela capacidade de falar normalmente em alguns contextos, geralmente em casa, com pessoas próximas, e pelo silêncio persistente em outras situações sociais, como a escola.
Esse silêncio não ocorre por escolha ou oposição. Trata-se de uma dificuldade intensa de comunicação diante de determinados ambientes ou pessoas.
A criança possui linguagem oral desenvolvida, mas não consegue utilizá-la em certos contextos. O comportamento costuma durar mais de um mês e está fortemente associado à ansiedade social, não a dificuldades de linguagem.
O mutismo seletivo costuma aparecer entre os 2 e 5 anos de idade, tornando-se mais evidente quando a criança entra na escola e passa a enfrentar demandas sociais mais complexas.
As causas são multifatoriais e podem envolver ansiedade social elevada, experiências de insegurança, exigências comunicativas que ultrapassam o que a criança consegue manejar emocionalmente e fatores temperamentais, como alta sensibilidade.
UniFacens: Por que esse transtorno ainda é pouco compreendido?
Elisa: Um dos principais motivos é que muitas pessoas ainda acreditam que crianças pequenas não têm ansiedade ou que o comportamento “vai passar com o tempo”.
Além disso, o mutismo seletivo tem uma característica que pode confundir adultos: a criança fala normalmente em casa. Por isso, muitas vezes o silêncio é interpretado como teimosia, manipulação ou falta de limites.
Outro fator importante é a falta de formação específica, especialmente nas escolas. Como o mutismo seletivo aparece principalmente no ambiente escolar, professores e equipes pedagógicas acabam sendo os primeiros a observar o comportamento, mas nem sempre receberam preparo para reconhecê-lo.
O transtorno também é complexo, pois envolve aspectos de ansiedade, linguagem, relações sociais e contexto cultural, o que dificulta classificações simples.
UniFacens: Quais impactos o mutismo seletivo pode causar na vida da criança?
Elisa: O mutismo seletivo pode afetar diferentes áreas do desenvolvimento infantil.
No campo emocional, a criança pode apresentar níveis elevados de ansiedade, medo de situações sociais, baixa autoestima e sentimentos de vergonha ou inadequação. Muitas vezes, ela percebe que não consegue fazer o que os outros esperam.
Nas relações sociais, a dificuldade de falar pode gerar isolamento, dificuldade para fazer amigos e interpretações equivocadas por parte de colegas, que podem entender o silêncio como desinteresse ou antipatia.
Na escola, os impactos costumam ser ainda mais visíveis. A criança pode ter dificuldade para participar de atividades orais, apresentações ou leituras em voz alta. Isso pode prejudicar avaliações e levar à impressão equivocada de desinteresse ou falta de esforço.
Quando o ambiente não compreende o transtorno, a pressão para que a criança fale pode aumentar ainda mais a ansiedade e intensificar o silêncio.
UniFacens: Qual a importância do conhecimento por parte dos profissionais da saúde e da educação?
Elisa: A identificação precoce do mutismo seletivo depende principalmente de profissionais da saúde e da educação, pois são eles que acompanham o desenvolvimento da criança em diferentes contextos.
Para profissionais da saúde, conhecer o transtorno é essencial para evitar diagnósticos equivocados, como confundir o comportamento com autismo, atraso de linguagem ou oposição. Também permite orientar famílias e construir intervenções adequadas.
Já no contexto educacional, o conhecimento é fundamental porque a escola é o principal cenário onde o mutismo seletivo se manifesta. Professores preparados conseguem evitar pressões desnecessárias, adaptar atividades e criar ambientes mais seguros para que a comunicação aconteça gradualmente.
Quando o transtorno não é compreendido, a criança corre o risco de ser interpretada de forma injusta, o que pode agravar o sofrimento.
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Todo o conteúdo do curso passa pela coordenação da Msc Elisa Neiva Vieira, Psicóloga clínica e referência nacional no tratamento do Mutismo Seletivo e ansiedade infantil. Mestre em Psicologia, fundadora do Instituto Mutismo Seletivo Brasil e coordenadora da Selective Mutism Association no país.
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