O aumento da frequência de eventos climáticos extremos, como ondas de calor intensas e crises hídricas, deixou de ser uma previsão futura para se tornar um desafio real das gestões urbanas. Desastres atingiram mais de 336 mil pessoas diretamente no Brasil em 2025, um prejuízo econômico que chegou a R$ 3,9 bilhões, segundo o relatório Estado do Clima.
Diante desse cenário, o conceito de “cidades resilientes” ganha protagonismo. Para o Prof. Dr. Felipe Fengler, especialista e docente na UniFacens – referência em metodologias inovadoras de educação nas áreas de engenharia, tecnologia, arquitetura e saúde – as consequências da falta de planejamento são visíveis. “A resiliência urbana não se trata apenas de reagir a desastres, mas de planejar cidades capazes de absorver impactos e manter serviços essenciais funcionando mesmo sob estresse climático”, pontua.
Diversas regiões do Sudeste do Brasil são atingidas pelas mudanças climáticas. Alguns efeitos menos percebidos, mas que afetam a população são, “por exemplo, mudanças no regime de chuvas, alterações na flora e fauna e até impactos na produção de alimentos, fatores que podem gerar pressões sobre a economia, aumentar custos de produção e afetar os preços. Além disso, mudanças ambientais podem favorecer a proliferação de vetores de doenças, como mosquitos transmissores da dengue, ampliando riscos à saúde pública”, destaca o especialista.
O professor explica ainda que mitigar os efeitos das mudanças climáticas continua sendo fundamental, no entanto, também precisamos adotar o princípio da precaução. “Mesmo com esforços, já sentimos os efeitos das mudanças. Por isso, estratégias de adaptação são igualmente importantes para que as cidades consigam lidar com novos padrões climáticos e reduzir os impactos sobre a população. Ou seja, combater as mudanças climáticas e se adaptar a elas são estratégias complementares e fundamentais”, diz.
A cultura do risco, ou seja, quando se assume um risco futuro para reduzir custos, é um fator negativo e que não fomenta cidades resilientes, de acordo com Fengler. “Muitas cidades brasileiras crescem rapidamente e a infraestrutura urbana acaba sendo planejada depois da ocupação, quando o problema já está instalado. Também existe o desafio financeiro. Infraestruturas mais modernas e resilientes geralmente demandam investimentos elevados. Além disso, políticas públicas e regulações relacionadas à adaptação climática ainda estão em processo de construção e amadurecimento no Brasil. Muitas vezes, o tempo necessário para implementar essas políticas é maior do que o ritmo de crescimento das cidades ou das mudanças ambientais”, avalia.
A saída seria então uma abordagem multidisciplinar que unisse engenharia, arquitetura, ciência de dados, gestão pública e tecnologia. Para o professor, é preciso trabalhar de forma integrada para desenvolver novas soluções, métodos e sistemas capazes de tornar as cidades mais resilientes. “A participação social é muito importante. Profissionais dessas áreas podem contribuir na construção de políticas públicas por meio de conselhos municipais, audiências públicas e processos de planejamento urbano. Além disso, a própria população também tem um papel relevante ao adotar práticas mais sustentáveis no cotidiano”, comenta.
Exemplos globais
E todos esses pontos se mostram eficazes em cidades ao redor do mundo. Para conquistar resiliência, elas desenvolvem infraestruturas que vão muito além das demandas diárias, preparando-se para as próximas décadas de mudanças ambientais e adensamento populacional.
Na Holanda, por exemplo, cidades como Roterdã investiram fortemente em infraestrutura de drenagem e planejamento urbano voltado para lidar com o aumento do nível do mar e eventos de chuva intensa. A cidade criou espaços urbanos capazes de armazenar temporariamente grandes volumes de água durante tempestades. Em Portugal, a cidade de Braga vem desenvolvendo um plano ambiental estruturado que combina redução de emissões, planejamento urbano sustentável e governança ambiental bem organizada.
No Brasil, a UniFacens está entre as top 10 universidades brasileiras no ranking internacional de sustentabilidade UI Green Metric. O campus, localizado em Sorocaba (SP), é utilizado como um living lab (laboratório vivo). “É um espaço onde tecnologias e práticas sustentáveis são testadas e aprimoradas antes de serem aplicadas em escala na sociedade”, destaca Fengler. A Instituição foca na formação de profissionais preparados para criar soluções tecnológicas e sistêmicas que ajudem a reduzir emissões e aumentar a resiliência das cidades brasileiras.
Os projetos desenvolvidos dentro do Smart Campus® UniFacens são divididos em nove eixos de atuação, diretamente conectados aos Pilares de Sustentabilidade do campus Facens, aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis da ONU e aos conceitos ESG, que compreendem as áreas: Ambiental, Social e Governança.






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